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“A empresa do seu primo deu certo”: como lidar com comparações

Você abre uma empresa e, de repente, parece que todo mundo conhece alguém que está indo melhor.

“A empresa do seu primo deu certo.”

“Fulano abriu uma loja depois de você e já tem três unidades.”

“Você viu quanto aquela empresa está vendendo pela internet?”

“Meu amigo começou há seis meses e já contratou cinco funcionários.”

Para quem empreende, comparações podem aparecer de todos os lados. Da família, dos amigos, dos clientes, das redes sociais e…da própria cabeça.

É natural observar outros negócios e tentar entender como o seu está se saindo. O problema começa quando a comparação deixa de servir como fonte de informação e passa a determinar suas decisões.

Empresas diferentes têm histórias, estruturas, mercados, custos, objetivos e pontos de partida diferentes. Por isso, comparar apenas o resultado final pode criar uma visão bastante distorcida da realidade.

Você conhece o resultado, mas não necessariamente a história

Imagine dois conhecidos que abriram restaurantes na mesma época. Depois de dois anos, um deles inaugurou a segunda unidade. O outro continua trabalhando apenas no primeiro endereço.

Quem está indo melhor?

A resposta parece óbvia, mas não necessariamente é.

Talvez o primeiro restaurante tenha recebido um investimento significativo para financiar a expansão. Talvez tenha assumido uma dívida que levará anos para pagar. Enquanto isso, o segundo pode ter escolhido crescer devagar, preservando o caixa e mantendo uma margem maior.

Também pode ser exatamente o contrário.

O primeiro negócio talvez tenha encontrado uma oportunidade excelente e esteja crescendo de maneira sustentável, enquanto o segundo enfrenta dificuldades.

O ponto é que não dá para descobrir isso apenas contando quantas unidades cada empresa possui. Faturamento, número de funcionários, tamanho da loja e seguidores nas redes sociais mostram apenas pedaços da história.

“Mas ele começou depois de mim”

O tempo é outra fonte frequente de comparação. Um empreendedor acompanha alguém que começou depois e pensa: “Como ele chegou tão longe tão rápido?”

Só que duas empresas dificilmente começam exatamente do mesmo lugar.

Uma pode nascer com capital próprio disponível. Outra começa com poucos recursos.

Um empreendedor pode ter dez anos de experiência naquele mercado. Outro está aprendendo tudo pela primeira vez.

Um possui uma rede extensa de contatos. Outro precisa construir sua carteira de clientes do zero.

Até o momento econômico pode fazer diferença. Começar seis meses antes ou depois pode significar enfrentar condições completamente diferentes de demanda, concorrência, custos ou disponibilidade de crédito.

Por isso, o calendário sozinho diz pouco sobre o desempenho de uma empresa.

As redes sociais pioraram a comparação

Antes, talvez você soubesse que a empresa do seu primo estava indo bem porque alguém comentava durante um almoço de família.

Agora, você pode acompanhar o sucesso dos outros todos os dias. São vídeos mostrando lojas cheias, novos escritórios, grandes contratos, viagens de negócios, eventos, lançamentos, contratações e comemorações.

Raramente, ou nunca, aparecem o boleto vencendo, o cliente que desistiu, o estoque parado ou a campanha que consumiu dinheiro e não trouxe o retorno esperado.

Isso não significa que todo empreendedor esteja fingindo sucesso. Significa apenas que as redes sociais são uma vitrine. E vitrines, por definição, mostram aquilo que alguém escolheu colocar em exposição.

Comparar os bastidores da sua empresa com a vitrine de outra é uma disputa bastante desigual.

Faturamento impressiona, mas não conta tudo

Poucos números alimentam tantas comparações quanto o faturamento.

“Minha empresa faturou R$ 1 milhão.” A frase chama atenção. Mas quanto sobrou?

Uma empresa pode faturar R$ 100 mil por mês e ter custos de R$ 95 mil. Outra pode faturar R$ 60 mil e operar com uma estrutura muito mais enxuta.

O faturamento da primeira é maior. Isso não significa automaticamente que sua situação financeira seja melhor.

Margem, despesas, dívidas, fluxo de caixa e capacidade de gerar resultado também importam. Por isso, tome cuidado ao utilizar números isolados como referência de sucesso.

Às vezes, você está se comparando com uma empresa que vende muito mais, mas também precisa correr muito mais apenas para pagar as próprias contas.

Crescer mais rápido também não significa necessariamente crescer melhor

Outra comparação comum envolve o tamanho da empresa.

Seu concorrente contratou mais dez pessoas. Mudou para um escritório maior. Abriu outra unidade.

Surge então a sensação de que você também deveria acelerar.

Mas crescimento traz custos. Mais funcionários significam aumento de despesas. Um espaço maior pode significar aluguel mais alto. Uma nova unidade exige investimento, estoque, equipamentos e capital para atravessar os primeiros meses.

Expandir pode ser uma ótima decisão quando existe demanda e planejamento. Fazer isso apenas porque outra empresa fez é uma história completamente diferente.

Seu concorrente não vai pagar as contas da sua expansão.

A comparação pode provocar decisões ruins

O perigo não está apenas no desconforto causado pela comparação. Ele aparece quando esse sentimento começa a interferir na gestão.

O empreendedor vê um concorrente reformando a loja e decide reformar a sua também.

Descobre que outra empresa investiu em determinado equipamento e corre para comprar um igual.

Percebe que todo mundo está anunciando em uma nova plataforma e coloca dinheiro ali sem analisar se seu público realmente está presente.

Em pouco tempo, a estratégia da empresa deixa de responder às próprias necessidades. Ela passa a responder aos movimentos dos outros. Isso é especialmente perigoso quando envolve dinheiro.

Investimentos precisam fazer sentido para a realidade financeira, os objetivos e o momento do negócio.

Nem toda comparação é ruim

Isso significa que você deve ignorar completamente outras empresas? Não.

Observar concorrentes, referências do setor e negócios semelhantes pode ser extremamente útil.

A comparação se torna produtiva quando funciona como ferramenta de aprendizado, e não como medida de autoestima.

Seu concorrente começou a oferecer uma nova forma de pagamento? Vale entender por quê.

Uma empresa semelhante encontrou um canal eficiente de aquisição de clientes? Talvez exista algo para aprender.

Outro negócio reduziu prazos de entrega? Pode ser interessante investigar como conseguiu.

O objetivo não é copiar automaticamente. É observar, analisar e decidir se aquele aprendizado faz sentido para a sua empresa.

Troque “por que ele conseguiu?” por “o que posso aprender?”

Uma pequena mudança na pergunta pode transformar a comparação.

“Por que a empresa dele cresce mais do que a minha?” tende a levar a respostas emocionais.

“O que essa empresa está fazendo que pode me ensinar alguma coisa?” leva a uma investigação.

Talvez ela tenha um atendimento melhor. Talvez tenha encontrado um nicho específico, negociado condições melhores com fornecedores ou desenvolvido uma estratégia de divulgação eficiente.

Você pode aprender com tudo isso sem precisar reproduzir exatamente o mesmo modelo.

A comparação saudável termina em informação. A comparação prejudicial termina em ansiedade ou decisões impulsivas.

Descubra quais são os seus próprios indicadores

Uma forma de diminuir comparações improdutivas é estabelecer critérios objetivos para avaliar a própria empresa.

Em vez de perguntar constantemente se você está crescendo tanto quanto os outros, acompanhe sua evolução.

O faturamento aumentou? A margem melhorou? Os clientes estão voltando? O prazo médio de recebimento diminuiu? As despesas estão sob controle? A empresa conseguiu formar uma reserva? O fluxo de caixa está mais previsível?

Essas perguntas dizem muito mais sobre a saúde do negócio do que descobrir quantos seguidores o concorrente ganhou neste mês.

A referência principal deve ser a estratégia que você definiu para sua empresa.

Compare sua empresa com ela mesma

Existe uma comparação particularmente útil: a empresa de hoje contra a empresa de seis meses ou um ano atrás.

Talvez você ainda não tenha o faturamento daquele conhecido que parece estar voando. Mas hoje sua empresa pode ter mais clientes recorrentes do que tinha no ano passado.

Talvez você ainda trabalhe no mesmo endereço. Mas sua margem melhorou, as dívidas diminuíram e o caixa está mais organizado.

Talvez você não tenha contratado ninguém. Mas automatizou tarefas, ganhou produtividade e consegue produzir mais com a mesma estrutura.

Esse tipo de evolução nem sempre rende uma publicação empolgante nas redes sociais. Financeiramente, porém, pode ser muito relevante.

Defina o que significa “dar certo” para você

Existe ainda uma pergunta que costuma ser esquecida nas comparações: o que você quer construir?

Nem todo empreendedor sonha em comandar uma companhia com centenas de colaboradores.

Uma pessoa pode querer transformar seu negócio em uma grande empresa nacional. Outra pode preferir manter uma operação pequena, lucrativa e previsível. Alguém pode priorizar crescimento acelerado. Outro empreendedor pode valorizar principalmente flexibilidade de horários e autonomia.

São objetivos diferentes. Se você não definir o que significa sucesso para sua empresa, provavelmente acabará adotando a definição dos outros. E então qualquer pessoa que tenha mais funcionários, unidades, seguidores ou faturamento parecerá estar na sua frente.

Mesmo que esteja correndo para um destino que você nem deseja alcançar.

Cuidado com a pressão da família e dos amigos

Nem todas as comparações vêm de pessoas que entendem de negócios.

Um familiar pode perguntar por que você ainda trabalha sozinho. Um amigo pode dizer que já está na hora de abrir outra unidade. Alguém pode comparar sua empresa com a de outra pessoa tentando apenas fazer uma observação casual.

Para quem está envolvido diariamente no negócio, porém, o comentário pode pesar. Mas vale lembrar que você conhece informações que essas pessoas provavelmente desconhecem.

Você sabe quanto existe no caixa, quais investimentos serão necessários, como está a demanda e quais riscos a empresa consegue assumir.

Opiniões externas podem ser ouvidas. Decisões empresariais, porém, precisam se apoiar em informações.

Organizar as finanças ajuda a enxergar a própria realidade

Quanto mais informações sobre o negócio, menor será a necessidade de avaliar seu desempenho apenas olhando para os outros. É nesse ponto que ferramentas de organização financeira podem ajudar.

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O Pix gratuito e ilimitado facilita pagamentos e transferências no dia a dia do negócio.

Para vendas presenciais, o Tap to Pay transforma o celular em uma ferramenta para aceitar pagamentos por aproximação, sem precisar alugar uma maquininha tradicional.

Já o Link de Pagamento possibilita cobrar clientes à distância, inclusive em vendas realizadas por redes sociais ou aplicativos de mensagens.

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São soluções que ajudam a simplificar tarefas, organizar movimentações e ampliar as possibilidades de pagamento e recebimento.

Quando você conhece melhor os números da própria empresa, fica mais fácil tomar decisões com base na realidade.

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