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Quer começar o ano investindo? Saiba o básico para dar o primeiro passo

Por William Oliveira, Head of Products na RecargaPay

Começar o ano investindo não precisa ser algo complicado, nem distante da realidade de quem está dando os primeiros passos. 

Antes de tudo, a primeira coisa que eu considero essencial é ter as contas minimamente em ordem. Não adianta falar em investir se o dinheiro não sobra. Investimento vem do que sobra, não do que falta. Esse ponto parece óbvio, mas muita gente ignora.

Se a pessoa está começando agora e tem pouco dinheiro para investir, a orientação é simples. Se ela tem R$ 5 mil, por exemplo, o melhor caminho é deixar esse valor na wallet da RecargaPay. Esse dinheiro rende 110% do CDI, o que já é muito bom.

O dinheiro fica ali, disponível, crescendo diariamente. Para quem está começando, isso já é um excelente primeiro passo. Não precisa inventar moda nem procurar algo mais complexo nesse momento.

Agora, quando esse valor começa a passar dos R$ 5 mil, a estratégia muda. Nesse caso, faz mais sentido direcionar o dinheiro excedente para um CDB, como o que rende 107% do CDI. O produto é oferecido pelo RecargaPay e tem liquidez diária.

“Dinheiro na mão é vendaval”

Mesmo no caso de quem tem até R$ 5 mil, é importante considerar que investir em um CDB também tem um efeito psicológico importante. Quando o dinheiro está visível na carteira do dia a dia, muita gente acaba gastando por impulso. 

Ao colocar o valor no CDB, ele fica separado, fora do campo de visão, o que ajuda a evitar gastos desnecessários.

Esse comportamento não é novo. É a mesma lógica que muita gente usava no passado ao transferir dinheiro para a poupança. A ideia é separar o dinheiro do dia a dia daquele que está sendo guardado, criando uma divisão clara entre consumo e reserva.

Para quem tem um fluxo maior de dinheiro, a lógica é simples. O dinheiro do mês, que vai ser usado para pagar contas e despesas, pode ficar na wallet rendendo 110% do CDI. O que sobra, o que é reserva, vai para o CDB 107%.

Essa separação ajuda a criar objetivos. Você sabe exatamente qual dinheiro é para o dia a dia e qual dinheiro é para guardar. Isso traz organização e clareza, dois fatores essenciais para quem quer investir com consistência.

Pessoa indicando o app RecargaPay

Não deixe todo o seu dinheiro “preso”

Existe também o CDB de 120%, mas ele é uma outra história. Esse produto faz sentido apenas para quem tem certeza de que não vai precisar do dinheiro por dois anos. 

É um rendimento excelente, mas o dinheiro fica “preso” até o vencimento. O valor mínimo para investir é de R$ 50 e o máximo é de R$ 5000. 

Por isso, é fundamental ter clareza. Se a pessoa sabe que não vai precisar daquele valor por dois anos, o CDB de 120% pode ser uma boa alternativa. Caso contrário, não faz sentido comprometer todo o dinheiro em algo sem liquidez.

Mas nada impede uma divisão. Com R$ 5 mil, você pode colocar R$ 1 mil no CDB de dois anos e deixar os outros R$ 4 mil em um CDB com liquidez diária, por exemplo. Assim, parte do dinheiro rende mais e parte fica disponível para emergências.

Falando em emergências, esse é um ponto essencial. Se surgir uma necessidade, o dinheiro precisa estar acessível. Por isso, liquidez é tão importante quanto rendimento, principalmente para quem está começando.

Atenção ao imposto

Outro ponto relevante é o imposto de renda. Na wallet, o rendimento já cai automaticamente com o desconto de 22,5%. Isso acontece porque é como se o dinheiro fosse resgatado todos os dias.

No CDB, a lógica é diferente. O imposto só é cobrado no momento do resgate, seguindo a tabela regressiva. Quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado, menor é a alíquota de imposto.

Atualmente, a alíquota é de 22,5% sobre os rendimentos quando o resgate é feito em até 180 dias após a aplicação. De 20% para resgate entre 181 e 360 dias, de 17,5% para resgate entre 361 e 720 dias e de 15% quando o resgate ocorre após 720 dias. 

Esse é mais um motivo pelo qual o CDB com liquidez diária faz sentido para reserva. Mesmo que você precise sacar antes, você já teve algum benefício por deixar o dinheiro aplicado durante um período.

Renda variável? Só como aprendizado

Quando a gente fala de investimento, muita gente pensa logo em renda variável. A minha visão é conservadora. Quem está começando não deve colocar uma parcela grande do dinheiro em ações.

Se a pessoa quer aprender, entender como funciona, minha sugestão é separar uma parte bem pequena para renda variável. Algo em torno de 5% do total. O objetivo aqui não é ganhar dinheiro rápido, mas aprender.

Uma estratégia possível é manter cerca de 70% em renda fixa, 25% em fundos multimercado e apenas 5% em renda variável. Isso permite exposição ao risco sem comprometer o patrimônio.

Os fundos multimercado são interessantes porque misturam estratégias. Eles podem ter renda fixa, renda variável, câmbio e até commodities. Isso ajuda a reduzir oscilações muito bruscas.

Mesmo assim, todo investimento tem risco. O mais seguro de todos continua sendo a renda fixa, especialmente o Tesouro Direto. Porque, se o governo deixar de pagar, isso significa que o problema é muito maior do que qualquer investimento individual.

No caso das ações, se for investir, é importante escolher empresas sólidas. As chamadas “blue chips”. Empresas grandes, consolidadas, com histórico consistente, que tendem a oscilar menos.

Em ano eleitoral, esse cuidado precisa ser ainda maior. Empresas com forte influência do governo podem sofrer maior volatilidade. Mas, ainda assim, empresas sólidas tendem a se recuperar ao longo do tempo.

Quando se fala em renda variável, o erro mais comum é querer dar saltos grandes com pouco dinheiro. Quem tem pouco precisa preservar, não arriscar tudo em busca de ganhos rápidos.

Criptomoedas entram na mesma lógica, só que com risco ainda maior. Se a pessoa quiser investir, deve ser uma parcela muito pequena, também apenas para aprender como funciona.

Nesse caso, faz mais sentido focar nas criptos mais consolidadas, como Bitcoin e Ethereum. Nada de apostar em modismos ou promessas milagrosas.

É importante lembrar que tanto ações quanto criptomoedas envolvem taxas. Existe corretagem para comprar e vender, e isso impacta o valor investido. Nem todo o dinheiro vai efetivamente para o ativo.

Promessa milagrosa = cilada 

Outro ponto essencial é desconfiar de promessas muito fora da realidade. É um clichê, mas é verdade: não existe almoço grátis. Quando alguém oferece rendimentos muito acima do mercado, é preciso entender o motivo.

Instituições sólidas não precisam oferecer taxas absurdas para captar dinheiro. Quando isso acontece, geralmente é sinal de risco elevado ou de uma necessidade urgente de captação.

Por isso, é fundamental observar limites, condições e quem está por trás da oferta. Rendimentos altos sem explicação clara devem sempre ser vistos com cautela.

Por fim, algo importante: não dá para prometer quanto alguém vai ganhar em um determinado período. Quando o rendimento é atrelado ao CDI, ele depende da taxa de juros, que pode mudar.

O máximo que se pode fazer é trabalhar com estimativas, nunca com promessas. E mesmo estimativas podem ser mal interpretadas. Por isso, o foco deve ser sempre no processo, não no número final.

Começar o ano investindo é, acima de tudo, começar com consciência. Saber quanto você pode guardar, onde faz sentido colocar esse dinheiro e respeitar o seu perfil. Investir bem é mais sobre constância do que sobre pressa.

*William Oliveira é Head of Products na RecargaPay, com 20 anos de experiência em tecnologia, negócios e desenvolvimento de produtos digitais. Atuou em empresas como Genial Investimentos, Serasa Experian, ClearSale e TOTVS, liderando times multidisciplinares e projetos de investimentos, open finance, crédito, banco digital e banking-as-a-service. É apaixonado por investimentos, negócios digitais, resolver problemas reais com tecnologia e por construir plataformas que gerem valor para o cliente e para o negócio.
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